Mulheres de meia-idade têm sintomas mais persistentes da Covid-19

Mulheres de meia-idade, entre 40 e 50 anos, apresentam sintomas mais graves e duradouros – que vão da ansiedade até à falta de ar, fadiga, dores musculares e confusão mental – depois de serem tratadas no hospital para a Covid-19, sugerem dois estudos do Reino Unido.

Um dos estudos (ainda não revisto por pares), liderado pela Universidade de Leicester, acompanhou mais de 1.000 pacientes internadas com Covid-19 no Reino Unido em 2020. Segundo o mesmo, até 70% não havia recuperado totalmente, em média cinco meses após a alta do hospital, sendo as mulheres as mais afetadas. No estudo de Leicester, esses sintomas duradouros impediram 18% das pessoas de regressar ao trabalho e forçaram 19% a mudar de emprego.

Um segundo estudo, ainda pré-publicado, liderado pela Universidade de Glasgow, descobriu que mulheres com menos de 50 anos tinham sete vezes mais probabilidade de ficar sem fôlego e duas vezes mais probabilidade de relatar fadiga pior do que homens da mesma idade que tiveram a doença, sete meses após o tratamento hospitalar.

A maneira como os corpos das mulheres lutam contra as doenças pode explicar a sua pior recuperação. Entre as mulheres, foi o grupo de meia-idade que pareceu ser o mais afetado por problemas de saúde de longo prazo, enquanto as mulheres mais jovens e mais velhas recuperaram melhor.

O autor Dr. Nazir Lone, envolvido em ambos os estudos, argumenta que isso pode acontecer porque “grupos de mais idade têm maior probabilidade de morrer” e, portanto, mulheres mais jovens e de meia-idade têm maior probabilidade de sobreviver e ter problemas de saúde. Mas também diz ser possível que as mulheres tenham “uma resposta imunológica diferente da dos homens”. Os homens, no entanto, são mais propensos a serem internados no hospital com Covid.

O estudo de Leicester também descobriu que a maioria das pessoas com sintomas graves e contínuos tinha níveis mais altos do que o normal de uma substância química chamada CRP, que está ligada à inflamação. A substância também está presente em mulheres de meia-idade, que são propensas a doenças autoimunes nas quais o corpo ataca as suas próprias células e órgãos saudáveis. “Isso pode explicar por que a síndrome pós-Covid parece prevalecer mais neste grupo, mas uma investigação mais aprofundada é necessária”, disse a professora Louise Wain, da Universidade de Leicester.

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