Caso Wesley Soares: PM era orgulho da família e não aceitava toque de recolher, relata vizinha

O corpo do soldado da Polícia Militar, Wesley Soares, morto após um surto ontem no Farol da Barra, em Salvador, chegará em Itacaré ainda nesta segunda-feira (29/03), conforme relatou ao Informe Baiano uma vizinha e amiga dele.

Apoiador de Jair Bolsonaro, o militar não aceitava as medidas de restrição implementadas pelas gestões estaduais e municipais. Além do presidente, Wesley era seguidor no Facebook de outras quatro figuras políticas: Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro, general Augusto Heleno e Tarcísio de Freitas. Nas redes sociais, aparentava ser uma pessoa alegre e de bem com a vida.

Porém, conforme contou a vizinha, as ações mais duras de combate à covid-19 deixaram o trabalhador “infeliz”.

“Ele relatava coisas que não estava gostando, que estava infeliz e foi um surto realmente. Falava que não concordava com essas questões de toque de recolher, que não queria prender trabalhador. Ele falava muito das ordens que tinham, dessa questão de quarentena. Tem com certeza uma questão política, sim. Imagina você é policial e faz concurso para prender bandido, mas tem que prender trabalhador”, afirmou.

“Wesley não estava em si quando estava falando. É muito difícil. Ele era o orgulho da família dele. Os pais deles são idosos e estão abalados demais. Ele tem uma irmã, que é professora. Eles são de família muito humilde, batalhadora, mas venceu na vida. Pessoas de bem mesmo, sabe?! Ele não tinha filho e chegou a ter uma noiva, mas separaram”, acrescentou. O corpo foi encaminhado para Itacaré em uma aeronave da Polícia Militar. Ainda não foi confirmado o dia e horário do sepultamento.

Tensão e morte

Às 15h, uma equipe do Bope iniciou a negociação com o soldado, que alternava momentos de lucidez com acessos de raiva, acompanhados de disparos para o alto. Além dos tiros de fuzil, o policial arremessou grades, isopores e bicicletas, no mar.

Foto: Alberto Maraux

Três viaturas quatro rodas também foram desengranadas e direcionadas para guarnições que isolavam o local. Aproximadamente às 18h35, o soldado verbalizou que havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e disparou contra as equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), que reagiu. Ele terminou sendo baleado, neutralizado e socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos. A negociação durou quase três horas e meia.

Protesto por Wesley

Policiais, amigos e familiares do soldado Wesley Soares fizeram um protesto pacífico na manhã desta segunda-feira (29/03), no Farol da Barra, em Salvador. Eles questionam a ação coordenada pelo BOPE. Os manifestantes acreditam que os negociadores deveriam esgotar o diálogo e aguardar familiares para conversar com o militar.

No local onde ocorreu a tragédia, os colegas pintaram o nome de Wesley no chão com tinta vermelha. Também colocaram um buquê de flores e uma farda da PM.