A presença de tubarões em Salvador gera riscos para a população? Confira entrevista com especialista!

Tubarao1Nos últimos dois meses, pelo menos três tubarões foram encontrados na capital baiana por pescadores da Gamboa e do Canta Galo. Dois registros fotográficos foram feitos e várias dúvidas geradas. O primeiro foi em 22 de março e o último no domingo (10/04), ambos no Canta Galo. Já na Praia da Gamboa, o fato aconteceu no início do mês de abril, próximo ao Edifício Morada dos Cardeias, mas os pescadores não souberam precisar o dia. Afinal de contas, é comum esses animais em Salvador? Existe risco de ataque? O Informe Baiano entrou em contato com o professor Cláudio Sampaio da Universidade Federal de Alagoas, que leciona para os cursos de Engenharia de Pesca e de Biologia. Confira abaixo o bate-papo feito via WhatsApp nesta terça (12).
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Informe Baiano – Professor, é possível identificar a espécie que foi encontrada em Salvador e há risco para a população?
Cláudio Sampaio – Esse tubarão é muito provavelmente que seja um Galha-Preta. É uma espécie relativamente comum em áreas tropicais e subtropicais. Não é potencialmente perigoso. Ou seja, o risco de incidentes com banhistas, surfistas e mergulhadores é extremamente baixo.
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tubarao canta galoIB – O primeiro tubarão, que foi encontrado, no dia 22 de março,  foi registrado pelo senhor mesmo?
CS –  Eu fiz fotos e ele tinha marcas de cópola. Era uma fêmea e tinha marcas de mordidas. O macho morde a fêmea para poder reproduzir. Então, tinham marcas de uma relação sexual recente ao longo do corpo. É possível que as águas quentes, finalzinho do verão, tenham favorecido a aproximação desses tubarões, que na verdade, já estão aí. Ele tem um focinho mais pontiagudo, ele é mais hidrodinâmico e também a ponta das suas nadadeiras são enegrecidas e por isso o nome popular de Tubarão Galha-preta. Eu, por sorte, estava passando de barco. E ele foi capturado fora da Baía de Todos os Santos com um espinhel. É um cabo com vários anzóis iscados. Esses tubarões, possivelmente, não foram capturados na Praia do Canta Galo.
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IB – Em contato com o Informe Baiano, mergulhadores que são moradores da Gamboa de Baixo afirmaram que viram um cardume de tubarões. A que o senhor atribui isso?
CS – É curioso porque a maior parte das espécies de peixes ameaçadas de extinção no Brasil é formada por tubarões. Porque eles demoram muito tempo para atingir a idade reprodutiva, geram filhotes por meses, algumas espécies até por mais de um ano e reproduzem poucos filhotes. Então tudo isso faz com que a pesca, a destruição dos seus ambientes e a poluição causem conseqüências na população dessas espécies. Eu nunca vi. Eu mergulho há mais de 30 anos, já mergulhei em todo litoral baiano, em muitos lugares e jamais vi cardumes de tubarão. O que vemos são poucos indivíduos. É um evento raríssimo e esse mergulhador teve uma sorte gigantesca.
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IB – Porque os tubarões estão vindo para as praias de Salvador?
CS -A Baía de Todos os Santos é a maior Baía do Brasil. Ela tem uma grande importância para diversas espécies de peixes, incluindo os tubarões e arraias. É um local onde muitas espécies buscam suas águas protegidas com poucos predadores, com muitos alimentos para parir seus filhotes. Essas áreas são conhecidas como berçário. Porque determinadas espécies só são encontradas nos primeiros anos de vida. Os adultos não. A medida que o tubarão pariu seu filhote dentro da Baía de Todos os Santos, ele vai ficar um determinado tempo crescendo e aí quando ele tem um porte maior, tamanho é documento na natureza, aí ele sai da Baía de Todos os Santos. É difícil a gente falar da presença de grandes tubarões na Baía de Todos os Santos. Quando é pego normalmente são fêmeas grávidas que estão procurando a proteção para parir seus filhotes.
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Tubarao3Para quem tem interesse em saber mais sobre os animais marinhos, a SBEEL – Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios (tubarões e arraias) vai realizar entre os dias 24 e 28 de abril a IX Reunião da SBEEL na Universidade Federal de Alagoas, em Penedo. Pesquisadores internacionais vão estar presentes e pelo menos cem trabalhos científicos devem ser apresentados no evento. O tema central vai ser os “Desafios e fronteiras do conhecimento para a conservação dos elasmobrânquios no Brasil”, bem como perspectivas futuras sobre as ações governamentais para o ordenamento pesqueiro; formação de mão de obra qualificada e implementação do Plano de Ação Nacional (PAN).

 

 

 

 

Tubarao2tubarao canta galo2

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