Doença da “urina preta”: vereador é internado após comer peixe na Cidade Baixa

O vereador de Salvador Sandro Bahiense recebeu alta médica, nesta terça-feira (13/07), do Hospital Izabel, após ficar quatro dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O edil foi diagnosticado com a Síndrome de Haff, conhecida como doença da “urina preta”.

Em conversa com o Informe Baiano, Bahiense revelou que comeu um peixe da espécie arabaiana, conhecido como “Olho de Boi”, no restaurante de um amigo na Cidade Baixa, na capital. Cerca de uma hora depois apareceram os primeiros sintomas da doença.

“Primeiro eu fiquei tonto, sem conseguir levantar direito e com dor abdominal. Tive uma inflamação no sangue, mas graças a Deus reverteu com medicamentos e muita hidratação. Passei quatro dias internado. A dor era nos nervos, parecia que eu estava tetraplégico, não aguentava nem levantar. Tinha também uma dor que começava no pescoço e terminava na cintura. A toxina foi pro sangue do músculo”, contou o político.

Peixe “Olho de Boi”

“Deus é fiel, eu dei a volta por cima. Isso está crescendo e se a pessoa não identificar logo, o rim pode parar e morrer. Então, que meu caso sirva de alerta. Qualquer coisa, vai logo no médico para fazer os exames de sangue e outros procedimentos”, concluiu Bahiense.

Síndrome de Haff ou Doença da Urina Preta

Reportagem da Agência Brasil de março desse ano aponta que a doença que acometeu o vereador soteropolitano é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes e crustáceos. A substância gera danos no sistema muscular e em órgãos como rins.

Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras (como eletrólitos, mioglobinas e proteínas) no sangue.

O nome foi dado em razão da descoberta da doença em um lago chamado Frisches Haff, na região de Koningsberg em 1924. O território, à beira do Mar Báltico, pertencia à Alemanha, mas foi incorporado à Rússia posteriormente, constituindo um enclave entre a Polônia e a Lituânia.

A doença de Haff gera uma rigidez muscular. Além disso, frequentemente ocorre como consequência o aparecimento de uma urina escura em função da insuficiência renal, razão pela qual essa expressão é utilizada para se referir à enfermidade.

Em artigo sobre a doença, médicos do Hospital São Lucas Copacabana explicam que ainda não houve confirmação sobre a natureza da toxina constante nos peixes cuja ingestão provocou a doença. Em alguns livros, ela está associada ao envenenamento por arsênico.

A dificuldade está no fato de que a toxina não tem nem gosto nem cheiro específicos, o que torna mais complexa a sua percepção. Ela também não é eliminada pelo processo de cocção do peixe.

Nos relatos registrados ao longo dos anos, pessoas acometidas da doença ingeriram diferentes tipos de peixe, como salmão, olho de boi, pacu-manteiga, pirapitinga, tambaqui, e de diversas famílias, como Cambaridae e Parastacidae.

Assim como no caso de Bahiense, outros casos da doença registrados por estudos se manifestaram por meio de dores abdominais poucas horas após a ingestão de peixes que estavam com a toxina.

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