Com dois gols na estreia, Marta se torna a segunda maior artilheira das Olimpíadas

Foram necessários oito minutos para que a estrela de Marta brilhasse em Tóquio. Foi com esse tempo de jogo que a Rainha marcou o primeiro gol do Brasil na vitória por 5 a 0 sobre a China, nesta quarta-feira (21). Depois do intervalo, ela ainda marcaria mais uma vez, chegando a 12 gols e tornando-se a segunda maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos.

O primeiro gol saiu após um bate e rebate dentro da área da China. Entre os pés de várias jogadoras, a bola procurou a canhota de Marta, que bateu com firmeza para estufar a rede. O segundo veio na etapa complementar. Depois de bola dividida entre Bia Zaneratto e a defensora, Marta pegou o rebote e, com muita esperteza, tirou do alcance da goleira para ampliar o marcador.

No primeiro tento, a Rainha deixou para trás a alemã Birgit Prinz, que balançou a rede em 10 oportunidades nas Olimpíadas. No segundo, superou a canadense Christine Sinclair*. À sua frente, agora, está justamente uma das maiores parceiras de sua carreira: Cristiane, que tem 14 gols na história dos Jogos Olímpicos.

“Poxa, eu nem sabia! A gente trabalha para isso, para estar sempre evoluindo e buscando bater nossos próprios recordes. A felicidade é enorme, principalmente pelo que a gente apresentou hoje, já que os gols são consequência do que você mostra em campo. Claro que o time não foi 100% perfeito, tivemos nossos altos e baixos na partida e aspectos que podemos corrigir, pela qualidade da equipe, mas o importante foi o resultado. Agora é fazer esses ajustes e pensar já no próximo jogo contra a Holanda”, disse Marta.

Foram três gols em Atenas 2004, três em Pequim 2008, dois em Londres 2012 e dois na Rio 2016. Agora, em Tóquio, a atacante repete em Olimpíadas a marca que já havia atingido em Copas do Mundo: balançou as redes em cinco edições diferentes. O plano de Marta é continuar marcando — e dedicando os gols à noiva, Toni Deion, nas comemorações.

“Costumo fazer o T com os braços em homenagem a ela. No primeiro, não consegui fazer, porque as meninas todas me abraçaram na emoção do primeiro gol da partida. Aí Deus abençoou e falou: ‘você vai fazer mais um para ela'”, brincou. Leve e sorridente em Tóquio, ela avaliou esse momento da sua história na Seleção.

“É o conjunto da situação. A gente vem trabalhando há muitos anos e não adianta ficar se cobrando a vida inteira achando que a culpa disso ou daquilo é nossa. No que depender de nós, temos que sempre fazer o nosso melhor. Temos que fazer nosso trabalho, falar quando pode e deve falar, nossa voz tem que ser ouvida, mas sem essa cobrança de ter que obter resultado para isso ou aquilo. É um trabalho que todas as outras equipes fazem também, e quem errar menos vai sair vencedor”, concluiu.

Depois de golear a China por 5 a 0, a Seleção Feminina dá início à preparação para o confronto do próximo sábado (24), contra a Holanda, pela segunda rodada do grupo F do futebol nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

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