Argentina permite registro de identidades não binárias em documento

O documento de identidade nacional da Argentina acrescenta a partir desta quarta-feira (21) a opção “X” na definição do gênero, além de masculino e feminino, segundo um decreto presidencial que coloca o país na vanguarda do tema na América Latina.

A norma estabelece a possibilidade de incorporação de uma terceira opção com o objetivo de salvaguardar o direito à identidade de gênero, previsto em lei desde 2012.

“A nomenclatura ‘X’ no campo ‘sexo’ incluirá os seguintes significados: não binário, indeterminado, não especificado, indefinido, não informado, autopercebido, não consignado, ou outro significado com o qual a pessoa não se sinta representada pelo binômio masculino/feminino”, diz a portaria publicada no Diário Oficial.

O presidente Alberto Fernández entregou os três primeiros documentos com a nova nomenclatura nesta quarta-feira, em cerimônia realizada no Museu do Bicentenário, ao lado da casa do governo.

“O Estado não deve se importar com o sexo de seus cidadãos”, disse o presidente e comemorou que existem “mil maneiras de amar, ser amado e ser feliz”.

A norma defende que “o direito à identidade tem um vínculo direto e indissociável com o direito de não sofrer discriminação, à saúde, à privacidade e à realização do próprio projeto de vida”.

“Existem outras identidades além da de homem e mulher e devem ser respeitadas”, disse o presidente.

A Federação LGBT Argentina celebrou o que definiu como um “avanço histórico em matéria de direitos” graças ao “ativismo das organizações”.

“Embora o uso do ‘X’ não seja totalmente inclusivo no reconhecimento da ampla gama de identidades que existem, é um passo importante no caminho para a igualdade real de direitos”, disse a Federação em nota.

Neste sentido, considerou que “é a melhor forma de poder reconhecer um direito e não perder outros, até que haja uma mudança mais profunda a nível global”.

O presidente Fernández considerou que “a sanção do casamento igualitário foi o início de todo este caminho para a diversidade”, recordando a lei que está em vigor desde 2010.

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