Professor universitário demitido após diversas denúncias de assédio sexual

O professor Claudio Lima de Aguiar, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) foi demitido por “reiteradas práticas de assédio sexual e moral” contra alunas. O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, acatou recomendação da comissão processante que, desde 2019, vinha apurando as denúncias. Oito pós-graduandas da Esalq, todas orientandas ou ex-orientandas dele, acusam Aguiar de condutas abusivas. Os depoimentos, conforme a apuração da Associação de Docentes da USP (Adusp), estavam ricos em detalhes.
 
A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 22 de dezembro. A USP confirmou a demissão do docente de seus quadros, acatando parecer da Congregação da Esalq.

Engenheiro químico, Aguiar era professor do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN) da Esalq, campus de Piracicaba, interior de São Paulo, e exercia a função de coordenador do programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola.

A Adusp afirma que os abusos remontam a 2016 e estão relatados de forma minuciosa em depoimentos que descrevem “condutas sistemáticas de assédio sexual, constrangimentos, xingamentos machistas, homofóbicos, humilhações públicas e abusos de poder”.

Ainda segundo divulgação da Adusp, os relatos enviados às comissões dão conta de que o professor procurava se mostrar amigável e solícito com as alunas, mas, com o passar do tempo, adotava condutas abusivas que envolviam “proximidade física e contatos indesejados, inclusive beijos no rosto e, frequentemente, toques em parte do corpo”. Durante as reuniões, o docente pedia para as alunas se sentarem mais perto e desviava o assunto, fazendo comentários invasivos sobre a vida pessoal, “perguntando e insinuando aspectos da intimidade das vítimas”. Em alguns casos, ele tocava os corpos das alunas, muitas vezes nas coxas e nas barrigas e, quando estas reagiam, dizia coisas como “calma, eu sou casado”.

Uma das vítimas contou ao jornal O Globo que Aguiar era seu orientador de mestrado e, em março de 2016, a convidou para uma reunião a sós em sua sala. Ela sabia que o professor tinha costume de se fechar no recinto com suas orientandas e assediá-las, mas não teve como evitar o encontro. Assim que entrou na sala, Aguiar pediu que trancasse a porta e se sentasse à mesa. A orientanda pretendia mostrar como andava seu projeto de dissertação, mas o professor insistiu em fazer massagem nela.

“Quando ele colocou a mão por dentro da minha blusa e abriu meu sutiã no meio da sala, eu travei os braços e mandei ele parar. Fechei meu notebook e fui embora. Quando cheguei em casa e fui tomar banho, me esfregava de tanto nojo que sentia de mim mesma”, contou mulher. O episódio a traumatizou, fez com que não confiasse mais em homens e trouxe dificuldades para seu relacionamento com o marido, segundo o jornal.

Últimas Noticias

Planos de saúde individuais têm aumento histórico

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou hoje (8) o índice máximo de reajuste anual para os planos...