Procuradora é espancada por colega após fazer denúncia de assédio

A procuradora-geral Gabriela Samadello Monteiro de Barros, 39 anos, que atua na Prefeitura de Registro, no interior de São Paulo, disse à polícia que sofria assédio moral de Demétrius Oliveira Macedo, 34, também procurador, que foi ouvido pela Policia Civil e liberado logo em seguida. Ele espancou Gabriela é uma testemunha filmou tudo pelo celular, na última segunda-feira (20/06), por volta das 16h50.

O delegado responsável pelo caso considerou que “não havia uma situação de flagrante”. O
crime teria sido motivada pela abertura de um processo administrativo contra o procurador por conta de sua postura no ambiente de trabalho.

“Eu entendi que não havia uma situação de flagrante, e sim um fato criminoso. É claro que deveria ser devidamente apurado. Por isso, fizemos o registro da ocorrência e tomamos todas as diligências cabíveis na ocasião”, explicou o delegado Fernando Carvalho Gregório, do 1º Distrito Policial de Registro.

Segundo Gregório, o agressor disse em depoimento sofrer assédio moral no local de trabalho. “Ele admitiu que agrediu a vítima e alegou que assim o fez por sofrer assédio moral”, acrescenta o delegado em entrevista à TV Tribuna (afiliada à Rede Globo), nesta quarta-feira (22).

A vítima recebeu vários socos e um chute do colega de trabalho.

“Foi exposta a minha dignidade. Como mulher, fui desrespeitada, assim como servidora pública. Enfim, foi um desrespeito global da minha personalidade como mulher”, afirmou.
Gabriela ainda completou dizendo que temia o colega de trabalho. “Eu tinha medo, sim. Tinha medo de que fosse acontecer isso, mas não imaginava que fosse ser uma violência física, achava que fosse um ‘bate boca’, uma discussão”, relata a Gabriela, em entrevista à TV Tribuna, emissora afiliada à Rede Globo.

A procuradora disse ainda que o colega apresentava comportamento suspeito e que já havia sido grosseiro com outra funcionária do setor. Gabriela informou ter enviado um memorando à Secretaria Administrativa com uma proposta de procedimento administrativo. Agora, a procuradora quer que Macedo seja processado em decorrência das agressões e ofensas contra ela.

Já a administração municipal, por meio de nota, repudiou profundamente os “brutais atos de violência realizados pelo Procurador Municipal contra a servidora municipal mulher que exerce a função de Procuradora Geral do Município. Que a vítima e sua família recebam toda nossa solidariedade, apoio e cada palavra de conforto e acolhimento”.

A prefeitura acrescentou que está tomando as providências necessárias e já determinou de imediato que o agressor seja suspenso, nos termos do art. 179, c/c inc. III do art. 180, ambos da Lei Complementar nº 034/2008 – Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Registro, com prejuízo de seus vencimentos, a partir de 21 de junho.

“Reafirmamos nosso compromisso com a prevenção e enfrentamento a todas as formas de violência, principalmente aquelas que vitimizam mulheres. Os servidores da Procuradoria Geral Municipal e da Secretaria de Negócios Jurídicos receberão todo apoio necessário, inclusive acompanhamento psicológico”, complementa.

O município disse ainda aos demais servidores: “recebam nosso amparo e saibam que a prática de violência é veementemente repudiada e será severamente punida”.

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