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Impactos da pandemia e falta de acesso à ciência são foco na G-Stic

A expressão “não vamos deixar ninguém de fora” como forma de estender o conhecimento a todas as populações do mundo foi várias vezes repetida por diferentes participantes no primeiro dos três dias da sexta edição da reunião anual da Comunidade Global de Tecnologia Sustentável e Inovação (G-Stic), que começou hoje (13), no Centro de Convenções ExpoMag, no Rio de Janeiro. O tema do encontro é Por um futuro equitativo e sustentável: soluções tecnológicas inovadoras para uma melhor recuperação pós-pandemia.

A busca por melhor qualidade de vida de todas as populações do mundo é uma premissa da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que definiu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas para, entre outros pontos, fortalecer a paz universal com mais liberdade, assegurar a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, como requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.

“A agenda 2030 é o melhor plano global que temos para reconstruir um mundo melhor depois da pandemia da covid e erradicar a fome, a pobreza e promover uma vida digna para todos”, afirmou a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

A conclusão dos debates nesta segunda-feira é de que a pandemia reforçou a diferença de acesso à ciência, à tecnologia e à inovação entre os países e, por isso, é preciso reforçar programas que avancem nessas áreas. E que essas questões terão que ser discutidas e enfrentadas por integrantes do G-Stic de forma conjunta.

“Não é que nada tenha sido feito no nosso país ou no mundo. Há muitos exemplos exitosos, mas eles esbarram em uma forte desigualdade, forte iniquidade. Uma das principais desigualdades é a na ciência, tecnologia e inovação. A pandemia mostrou isso de uma forma incontestável, com a falta de insumos de saúde que nós poderíamos produzir”, disse Nísia.

Conforme a ministra, o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19, que exigiu muitas pesquisas e troca de informações de resultados obtidos no mundo, no Brasil o avanço obtido foi onde se tinha uma base científica tecnológica orientada pelo sistema de saúde. “Foram os casos da incorporação da tecnologia em tempo recorde pela Fiocruz no acordo com a AstraZeneca, e foi no caso do Instituto Butantan com a CoronaVac”, disse.

Ainda dentro do impacto da pandemia e da falta de informação, a ministra fez referência ao racismo estrutural, que impede o acesso às políticas públicas como também à situação dos yanomami, no Brasil, e de povos indígenas em outros países. “Ciência, tecnologia e inovação são elementos estratégicos para a implementação da Agenda 2030 e para o desenvolvimento sustentável”, observou.

O ministro de Relações Exteriores e representante permanente do Quênia na ONU, Macharia Kamau, destacou que há pouco conteúdo que fala com os africanos, condição que se agrava com barreiras políticas e sociais, onde países restringem o acesso a redes sociais. “Temos ainda a grande lacuna digital entre as pessoas rurais e urbanas, as pessoas modernas, os povos indígenas, os ricos e os pobres, entre o sul e o norte. Temos que superar isso para poder ter os objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse.

Kamau acrescentou que o Brasil tem condição de atuar de forma estratégica para salvar as florestas, e isso precisa ser compartilhado. “Esse conhecimento precisa cruzar o Atlântico e chegar na África”, disse, lembrando que a infraestrutura é um grande desafio para os países africanos, como também a qualidade da educação que precisa ser melhorada.

Para a ministra da Saúde, está colocado o compromisso do governo com a Agenda 2030 que está sendo retomada como parâmetro de compromisso internacional a favor da equidade em todos os campos. De acordo com Nísia, a agenda que defende o desenvolvimento sustentável baseado na sustentabilidade econômica, social e ambiental, foi atingida não só pela pandemia, como por governos que não assumiram efetivamente o compromisso. “O governo do Brasil liderado pelo presidente Lula volta com força a essa agenda”, disse.

Na visão do subsecretário geral da ONU, Amandeep Singh Gill, o investimento em ciência, tecnologia e inovação intensifica a possibilidade de expansão dos efeitos das metas das ODS. “Quando temos diversidade em inovação, com formas dinâmicas e inclusivas criamos então uma melhor oportunidade em crescer em escala nas metas das ODS”, disse.

Realizada pela primeira vez nas Américas, a preparação conjunta da reunião ficou com a organização belga de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento sustentável Vito; da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); do Conselho de Pesquisa Científica e Industrial, África do Sul (CSIR); do Instituto de Conversão de Energia de Guangzhou, da China (Giec); do Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju, da Coreia do Sul, (Gist); do Centro Nacional de Gestão de Tecnologia, da Nigéria, (Nacetem); Instituto de Energia e Recursos, da Índia (Teri); e da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDSN).

“A G-Stic reúne um conjunto de instituições com representações em todas as regiões do mundo. A entrada do Brasil, em 2018, por meio da Fiocruz, deu uma relevância ainda maior para o tema da saúde, o que fica claro na programação de fevereiro”, informou a Fiocruz.

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