Menudos no Planalto: e se ACM Neto for ministro-chefe? Por Ramon Margiolle

Neste momento, alguns podem até considerar surreal, mas na política tudo é possível. Inclusive, a ida de ACM Neto (DEM), com Temer destituído e Rodrigo Maia presidente, para o Planalto, onde assumiria o cargo de ministro-chefe. A de citar, ministro de verdade, com bala na agulha e força para resolver. Recentemente, o mesmo disse que só deixaria o atual cargo para concorrer ao Governo da Bahia, mas o cenário é outro.

Um importante correligionário do prefeito de Salvador confidenciou ao Informe Baiano que essa seria uma vontade partidária e trata-se de um projeto a longo prazo. Citou ainda que a questão não é mais municipal e sim nacional, lembrando que o gestor pode contribuir ainda mais com a capital baiana e com a Bahia, em Brasília. Porém, muitas pedras ainda vão rolar. Primeiro, precisa-se, efetivamente, retirar Michel Temer do Palácio do Planalto. Articulações estão sendo costuradas e levam a crer que o objetivo vai ser alcançado, assim como foi com Dilma do PT. O argumento é o mesmo: a gestão perdeu a legitimitade. “Maia é o nome”.

“Se Rodrigo já tem maioria absoluta hoje no Congresso, imagine quando ficar com a caneta por 30 dias? É fato, amigo, Rodrigo é presidente. Pra gente vai ser melhor sem dúvidas. Rodrigo é Neto, Neto é Rodrigo. São amigos e irmãos. São do mesmo grupo. A missão é muito maior que Salvador e acredito que Neto não tem outra alternativa a não ser assumir o desafio”, revelou a fonte sob o acordo de anonimato.

Neto nega a articulação contra Temer.

“Nós aqui acompanhamos a crise torcendo que ela seja superada o quanto antes. Todos pagam o preço da crise… Rodrigo Maia, que é meu amigo, tem tido uma postura exemplar frente o Poder Legislativo. Ele tem sido equilibrado, sereno e tem demonstrado espírito público. Quem conhece Rodrigo sabe do seu caráter e de sua condição de homem de palavra. Eu vejo muita especulação, disse-me-disse…Sei que ele com a máxima isenção e com toda credibilidade, vai conduzir o Poder Legislativo, não apenas na votação dessa denúncia específica, mas na continuidade, na pauta que interessa ao país, entre as quais, as reformas”, disse Neto.

O prefeito esteve em Brasília esta semana reunido com lideranças do seu partido, a exemplo de Agripino Maia e Ronaldo Caiado. Sobre 2018, a decisão é óbvia. O gestor concorre ao Governo do Estado contra o petista Rui Costa. Ou seja, apenas anteciparia sua saída. Confirmado o cargo de ministro, não basta a ACM Neto pedir licença do Palácio Tomé de Souza e sim, renunciar. Vale lembrar, o vice-prefeito Bruno Reis, embora seja filiado ao PMDB, é homem de extrema confiança de Neto. Foi seu assessor desde os tempos em que o demista era deputado federal membro da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) com Rodrigo Maia. Foi naquela época, inclusive, que nasceram os “Menudos do Congresso”.

Por Ramon Margiolle