A Prefeitura de Salvador iniciou, neste sábado (17), um novo ciclo de atividades da Arena Aquática Salvador, na Pituba, com a entrega de materiais esportivos aos alunos do equipamento. A ação, que marca o período 2026–2027, contou com a presença do prefeito Bruno Reis, do secretário municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Júnior Magalhães, além de alunos e familiares.
Durante a cerimônia, foram entregues simbolicamente dez kits de natação. Os materiais incluem óculos, toucas e protetores auriculares, que serão disponibilizados a todos os participantes das atividades gratuitas. A iniciativa busca oferecer melhores condições para a prática esportiva e contribuir para o desenvolvimento dos alunos.
Localizada na Avenida Octávio Mangabeira, a Arena Aquática Salvador conta com uma piscina olímpica utilizada nos Jogos Rio 2016 e uma piscina semiolímpica. O equipamento oferece aulas gratuitas de natação, atividades de iniciação esportiva e treinamento de atletas de alto rendimento, além de atender crianças a partir de 6 anos, idosos e pessoas com deficiência.
Durante o evento, Bruno Reis destacou a importância de democratizar o acesso à prática esportiva e relembrou a transformação do espaço, que anteriormente abrigava um clube privado. “Eu, quando menino, passava aqui por essa calçada e me perguntava: meu Deus, será que um dia eu vou conseguir entrar nesse clube, cair nessa piscina? Deus me deu muito mais do que eu pedia. Ele me deu a oportunidade de trazer milhares de pessoas que, como eu, não tinham oportunidade de frequentar um ambiente como esse, de treinar num espaço como esse”, afirmou.
O secretário da Sempre, Júnior Magalhães, ressaltou que a entrega dos materiais contribui para eliminar barreiras financeiras que dificultam o acesso à modalidade. Segundo ele, mais de 10 mil pessoas já passaram pela Arena Aquática desde a implantação do equipamento. “Somos muito felizes de poder oferecer e entregar os óculos, as toucas e os protetores auriculares, porque esses materiais muitas vezes acabam limitando o acesso das pessoas. Todos os alunos terão, além das aulas gratuitas com professores qualificados, acesso a esses equipamentos”, destacou. O secretário acrescentou que a Prefeitura já planeja ampliar os materiais disponibilizados aos participantes. A previsão é que, em 2027, os alunos também recebam kits com itens de vestuário para a prática esportiva.
Gerente de esportes da Arena, o medalhista olímpico Edvaldo Valério destacou a chegada dos novos alunos e as oportunidades oferecidas pelo projeto. Segundo ele, 600 novos participantes ingressam neste ciclo, com expectativa de inclusão de outros 400 ao longo do ano. Valério também ressaltou que a Arena se consolidou como espaço para competições esportivas. O equipamento já sediou campeonatos regionais, nacionais e sul-americanos, além de um campeonato mundial de polo aquático feminino no ano passado, contribuindo para movimentar setores como turismo, hotelaria e gastronomia.
“Hoje é um dia importante, um marco para comemorar a chegada desses novos alunos, que ficarão com a gente pelo menos durante um ano. Eles já vão ter todo o material de qualidade para que possam se desenvolver nas atividades. Quem sabe a gente possa estar torcendo, comemorando e vibrando pelas conquistas deles no futuro”, afirmou.
Transformação através do esporte – Entre os alunos beneficiados está Ana Beatriz Liberato, de 15 anos, que frequenta a Arena Aquática há mais de um ano. A adolescente, que tem transtorno do espectro autista (TEA) nível de suporte 1, conta que a natação trouxe mudanças para sua vida e comemorou a chegada dos novos materiais. “Gostei porque meus óculos estavam entrando água. Estou nadando sem os óculos e não estou conseguindo ver direito debaixo da água”, contou.
A mãe da adolescente, a autônoma Roseane Pinho, também percebeu avanços no desenvolvimento da filha desde o início das aulas, especialmente na coordenação motora, no equilíbrio e na comunicação. Moradora de São Caetano, ela acompanha Bia nas atividades duas vezes por semana. “Quando Bia entrou aqui, ela não tinha uma coordenação motora legal, andava e caía toda hora. Depois da natação, ela melhorou 100%. Hoje, tem um equilíbrio maravilhoso. A natação e a oportunidade de estar junto com outras crianças são fundamentais. A gente vem para cá feliz da vida, porque aqui também é uma terapia para ela”, afirmou.
Aos 38 anos, Arlison dos Santos também encontrou na natação uma oportunidade de recuperação e retomada da vida social. Há três anos na Arena, ele conta que o esporte foi fundamental após um grave acidente de moto, que exigiu dez cirurgias e deixou sequelas físicas. “A natação serviu como um retorno à minha vida social. Eu tive um acidente grave de moto e quem recuperou minha autoestima e me ajudou a voltar a andar normalmente, com pouca dificuldade, foi a natação, que salvou a minha vida”, relatou.
Atualmente integrante da equipe oficial da Arena, Arlison ressaltou a importância de a Prefeitura oferecer gratuitamente uma modalidade que envolve custos com aulas e equipamentos. “É importante porque é um esporte inclusivo da Prefeitura, que permite que pessoas que não têm condições de fazer uma aula particular tenham acesso. A gente vê que nossos impostos estão sendo bem empregados, com materiais doados para crianças que não têm condições de bancar. É só felicidade”, concluiu.





