MPF pede que Netflix não classifique animação com drag queens como “infantil”

O Ministério Público Federal de Minas Gerais pediu à Netflix que disponibilize a animação adulta “Super Drags”, protagonizada por três super-heroínas drag queens, exclusivamente no catálogo geral da plataforma, e não no menu destinado ao público infantil. O lançamento da série foi anunciado em 31 de maio e ganhou destaque após a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitir um comunicado pedindo o cancelamento da atração por ser inadequada a crianças.

Em nota divulgada nesta quinta (26), o Ministério Público afirma que o procurador da República Fernando de Almeida Martins, autor da recomendação, entende ser “necessária a intervenção do poder público para preservar os direitos das crianças, mais propensas a serem influenciadas, principalmente quando se trata do uso de uma linguagem que é, essencialmente, do universo infantil —como é o caso dos desenhos animados”.

O ponto problemático da recomendação do MPF e de todo o movimento contra a série, que uniu vozes conservadoras e ganhou coro nas redes sociais, é que “Super Drags” em nenhum momento foi sequer cogitada a entrar no canal infantil da plataforma, conforme a própria Netflix explicou ao UOL.

A animação, que ainda não foi lançada, é direcionada ao público adulto. Em contato com a reportagem, a Netflix salientou ainda que disponibiliza controle parental para pais que desejam controlar a quais títulos os filhos têm acesso. “A Netflix oferece uma grande variedade de conteúdos para todos os gostos e preferências. ‘Super Drags’ é uma série de animação para uma audiência adulta e não estará disponível na plataforma infantil [Netflix Kids]”, afirmou a empresa ainda na semana passada.