Dieta cetogênica aumentou risco de diabetes em cobaias

A dieta cetogênica (conhecida em inglês como keto) virou moda recentemente em todo o mundo. Seus adeptos afirmam que o consumo de gordura e proteína e a redução drástica dos carboidratos podem ajudar a perder e a manter o peso mais rápido do que qualquer outra coisa, além de, supostamente, oferecer vários benefícios para a saúde. Mas, um novo estudo, realizado em camundongos, sugere que a keto pode ter um efeito não intencional na capacidade do organismo de processar insulina, o que poderia aumentar o risco de diabetes tipo 2. Os resultados foram publicados na quarta, dia 8 de agosto, na revista científica Journal of Physiology.

A peculiaridade da dieta cetogênica está ligada ao “combustível” que usamos para manter o corpo funcionando normalmente, ou seja, à glicose metabolizada a partir da comida. Como a fonte mais comum desse nutriente vem dos carboidratos que ingerimos diariamente, quando restringimos o consumo de açúcar, o corpo passa a quebrar as reservas de gordura. Neste caso, o fígado, ao realizar a quebra da gordura, gera uma substância química chamada cetona, que, em seguida, é decomposta em glicose.

Ocasionalmente nosso organismo produz cetonas, por exemplo, durante atividades físicas intensas ou quando há um jejum prolongado, mas, são situações consideradas de “emergência”, e recebem o nome científico de cetose. O problema é que na dieta cetogênica, a pessoa força o aparecimento dessa condição, ao comer pouco ou nenhum carboidrato, algumas proteínas e principalmente gordura.

Camundongos

No estudo, os pesquisadores suíços queriam ver como a presença das cetonas no sangue afetam a insulina. Eles alimentaram um grupo de camundongos com uma dieta rica em gordura, mas com muitos carboidratos; enquanto outro grupo recebeu apenas alimentos da dieta cetogênica. Em seguida, forma medidos o metabolismo e o açúcar presente no sangue dos animais. Como esperado, os ratos que comeram carboidratos e gorduras tinham sinais de resistência à insulina no fígado e pior controle da glicose no sangue. Mas, surpreendentemente, o mesmo foi registrado nas cobaias da dieta keto e num grau notavelmente maior.

“Embora as dietas cetogênicas sejam saudáveis, nossos achados indicam que pode haver um aumento no risco de resistência à insulina, que pode levar ao diabetes tipo 2”, comenta o pesquisador Christian Wolfrum, do Instituto de Nutrição e Saúde Alimentar da Universidade de Zurique, na Suíça, em comunicado enviado à impresa.

Os autores salientam que as conclusões do estudo ainda são preliminares e que foram direcionados aos ratos, não podendo ser associadas aos humanos. Além disso, as cobaias foram avaliadas por apenas três dias. Ainda assim, os pesquisadores afirmam que é provável que os efeitos da resistência à insulina possam também afetar as pessoas, de forma mais branda e especialmente para quem segue a dieta cetogênica por mais tempo.

“Não acho que seja preciso preocupação, mas o uso da dieta cetogênica sem monitoramento profissional não é aconselhável, na minha opinião. De qualquer forma, dietas que restringem certos alimentos podem causar desnutrição. Então, pessoalmente, sou favorável a dietas mais equilibradas”, diz Wolfrum, no mesmo comunicado.

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