Desmandos e condições precárias da 48ª CIPM: PM orienta soldados e fala sobre nova sede

Em nota enviada ao Informe Baiano nesta sexta-feira (23/04), a Polícia Militar orientou os soldados da 48ª CIPM sobre as denúncias de desmandos dos comandantes da unidade sediada no bairro de Sussuarana, em Salvador. A notícia foi publicada na quinta-feira (22/04) no IB. A corporação também falou sobre as condições precárias da sede da Companhia, que sendo alguns militares, parece até um “chiqueiro”.

“Em relação à denúncia, é importante que os denunciantes formalizem os fatos através da Ouvidoria ou Corregedoria da instituição, ressaltando que a identidade será mantida em sigilo, dessa forma, as circunstâncias serão apuradas oficialmente com todas as partes sendo ouvidas”, afirma a nota oficial, que acrescenta.

“Existe um projeto de reforma em andamento, já em fase de finalização, para a sede da 48ª CIPM, localizada no bairro de Sussuarana. O planejamento está sendo realizado pela coordenação de engenharia do Departamento de Apoio Logístico (DAL) da Polícia Militar”, concluiu a PM.

Soldados da 48ª CIPM denunciaram as condições de trabalho incompatíveis com o que pregado pelo comando-geral da Polícia Militar. Sob anonimato, pois teme represálias, um militar relatou que a estrutura do local não permite nem realizar necessidades fisiológicas básicas.

“A Companhia trabalha certo e tem uma produtividade altíssima, mas agora é só arrocho. O comandante anterior tratava todos com dignidade, mas os atuais parecem que são mais homens que todos. Esse capitão, pelo amor de Deus, não respeita ninguém. Enfim, vai lá descer nas ‘bocas’ sozinhos”, desabafou.

Um texto produzido por um grupo insatisfeito relata ainda que “estão sufocando a tropa, apertando quem fica doente, mandando investigar, mas são incapazes de fazer uma ligação para saber o estado do policial. Negam permutas, abonos para uns e privilegiam poucos”.

Os integrantes da 48ª CIPM comentam ainda sobre o caso do soldado Lucas Freitas, que tirou a própria vida, na última terça-feira (20/04).

“Lucas estava em casa de atestado, vestiu a farda e se matou, reflexo da péssima gestão a que estamos submetidos, a começar pelo comandante-geral que não representa a tropa e o por consequência o major que ele colocou aqui para apertar a tropa. Uma unidade com a estrutura física lixo, insalubre, porca, alojamento que 3 policiais não conseguem ficar dentro por conta do espaço, banheiro fede desde a entrada do portão, não tem condições mínimas para realizar beta 30 (almoço) ou 32 (necessidades fisiológicas). A 48 está jogada as traças”, afirma a denúncia.

Representante da categoria, o deputado estadual Soldado Prisco reafirmou que “os comandantes só tem interesse de produção” e “querem demonstrar uma sensação de segurança ao governo, mas o estresse na categoria só aumentou”. Sobre a situação da sede da 48ª CIPM, disse que “isso não é novidade”.

“Nós vamos entrar no Ministério Público pedindo a interdição dessa CIPM, porque aquilo é uma casa e não tem condições nenhuma de funcionar. As condições são insalubres, não tem nenhuma condição, parte elétrica toda deteriorada… Já é de conhecimento, inclusive, do atual comandante-geral, que foi comandante do CPRC-Central. Um verdadeiro absurdo”, disse Prisco.

Policiais denunciam unidade da PM que “parece chiqueiro” e desmandos de comandantes