Dia de aumento: soteropolitanos revoltados com preço da gasolina e Sindicombustíveis fala em desemprego

Nesta sexta-feira (14/05), os baianos foram surpreendidos com mais um aumento dos comustiveis. A gasolina, por exemplo, passou a custar R$5,85. O valor é o mesmo em boa parte dos postos de Salvador.

Em um grupo de WhatsApp, um leitor do Informe Baiano questionou: “Bom dia!!!! Como é que justifica esse aumento dos combustíveis nos postos de gasolina, sem anúncio de aumento por parte da refinaria petrolífera?”.

Outro internauta lembrou que no final de abril houve redução no valor do combustível nas refinarias de cinco centavos no preço da gasolina e seis centavos no preço do diesel. “Mesmo assim todos os postos de Salvador aumentaram em média 70 centavos. Outra curiosidade é que sempre o valor da gasolina é 1 real a menos que o etanol e os dois sobem juntos. E todos os postos reajustaram em 70 centavos. Há uma variação nos postos de apenas 3 a 5 centavos. É uma sacanagem o que estão fazendo com o nosso povo”, desabafou.

“O motorista de aplicativo, por exemplo, já está arrancando os cabelos. Aquela política de duas décadas passadas que estimulava o uso do etanol quando a gasolina estava muito cara deixou de fazer efeito, pois todas as vezes que a gasolina sobre, o etanol também e até o GNV. Ou seja, nós estamos reféns de um grupo de empresários? Cadê o Procon, o Ministério Público, a Câmara dos Vereadores, a Assembléia Legislativa e a Câmara dos Deputados? Não fazem nada”, acrescentou o leitor do IB.

Na manhã de hoje, dia do aumento, o Sindicombustíveis Bahia, presidido pelo empresário Walter Tannus, emitiu uma nota externando preocupação com o desemprego, mas em nenhum momento fala sobre o novo aumento. O comunicado pode ser, na verdade, uma estratégia para desviar o foco do aumento.

Segundo o sindicato, durante todo o ano de 2020 foram registrados 5.076 frentistas desempregados na Bahia, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Essas pessoas fazem parte dos 14,4 milhões de desempregados contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A pandemia do novo coronavírus, que estabeleceu o isolamento social, a redução de veículos nas ruas e, consequentemente, a queda do consumo de combustíveis de 50% a 70% em Salvador, além do agravamento da crise econômica, contribuíram para essas demissões”, explica Walter Tannus. Ele diz que “a recomendação do sindicato era manter os empregos, mas o resultado foi milhares de desempregados, mesmo com o programa federal que permitiu reduções salariais e suspensão temporária de contratos”, lamenta.

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) Trimestral, feita pelo IBGE e divulgada em março deste ano, a Bahia atingiu o recorde de 1,272 milhão de pessoas desocupadas em 2020, correspondente a uma taxa de desemprego de 19,8%, o maior índice do país e já registrado no Estado.

“A situação de empresários de um modo geral e das pessoas sem emprego é muito preocupante. Esperamos que, com a flexibilização das medidas de restrições pelo Estado e pelos municípios, que entram na fase amarela parcial, com a reabertura das lojas de conveniência, possamos voltar a acreditar na retomada da economia e do trabalho”, comenta Walter Tannus.