“Nós sabemos do que se trata”, diz Olívia Santana sobre delegada negra barrada em loja Zara

A delegada e diretora adjunta do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Ceará, Ana Paula Barroso, foi barrada na entrada da loja de roupas Zara, no Shopping Iguatemi, em Fortaleza, no dia 14 de setembro. Ela denuncia o caso de racismo por parte do segurança e no último domingo (19/09), a Polícia Civil esteve no local para recuperar as imagens de vídeo do circuito interno de segurança.

A deputada estadual baiana Olívia Santana (PCdoB), uma das parlamentares mais ativas no combate ao racismo no país, utilizou as redes sociais para reforçar que a população negra precisa dar as devidas respostas.

“A delegada Ana Paula Barroso, uma mulher negra, foi impedida de entrar na loja da Zara, em um shopping em Fortaleza. Sem motivos explícitos para que ela não permanecesse na loja, nós sabemos do que se trata, não é mesmo? Racismo! Mas o que eles não contavam é que a pessoa barrada era uma delegada, que determinou que a polícia civil voltasse ao local para busca e apreensão dos equipamentos de câmera de segurança. É assim que respondemos a atos racistas. Que a população negra possa ocupar todos os espaços e dar as devidas respostas! Toda a minha solidariedade a Ana Paula! #racismo #zara”, escreveu a deputada.

Representantes do estabelecimento disseram que a ação foi tomada porque a delegada estava sem máscara e descumpria os protocolos contra a Covid-19, mas não foi o que o funcionário alegou, segundo a delegada.

Ana Paula relatou que o segurança a impediu de entrar na loja e alegou apenas “questões de segurança”. Ela questionou as razões e foi ignorada.

A delegada Anna Nery, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Fortaleza, contou que após a formalização da denúncia, foram feitas três tentativas de solicitação das imagens das câmeras de segurança, porém, o estabelecimento negou. O shopping cedeu imagens das áreas comuns do local, mas a Zara só liberou suas próprias imagens após mandado de busca concedido pela Justiça.

A assessoria de comunicação da Zara disse que a delegada foi abordada por estar consumindo um sorvete na loja e não estar usando máscara. Após a abordagem, ela se sentiu ofendida e saiu do local.

O Shopping Iguatemi disse, em nota, que colaborou com as investigações cedendo de pronto as imagens das áreas comuns do centro de compras, e disse não compactuar “com quaisquer formas de discriminação ou demonstrações de preconceito racial”, além de reforçar que “cumpre todas as determinações dos decretos estaduais em relação a medidas sanitárias referentes à Covid-19”.

Pele negra é mais suscetível a manchas e precisa de cuidados especiais

Últimas Noticias