Amarração de Ojás celebra paz e união contra o preconceito religioso em Lauro de Freitas

Fotos: Lucas Lins

O sol já estava se pondo nesta sexta-feira (26) na Praça da Matriz, quando os sons dos atabaques deram início ao xirê, abrindo a celebração realizada por filhos, filhas, pais e mães de santo de seis terreiros de Lauro de Freitas, para a amarração do Ojá, tecido sagrado do candomblé, em árvores do Centro e de outros bairros da cidade. O evento é realizado todos os anos dentro da programação do Novembro Negro.

A amarração é um pedido de paz e respeito às religiões de matriz africana, além da reafirmação da existência do candomblé, conforme destaca Pai Igor de Odé, do Terreiro Ilê Axé Opô Oyá Sojú. “Nesse momento mostramos para toda a sociedade que existimos e que nossos terreiros são os nossos templos. A energia comanda nossa religião, por isso tenho certeza que este evento vai chegar em cada lar, em cada casa de axé, em cada terreiro e em todos os templos, não só de candomblé.”


Saudando Baba Oxalá, Orixá da paz, da vida e do branco, cor dos ojás, Mãe Márcia do Terreiro Ilê Axé Ewa Olodumare, reafirmou a importância da união de todos. “Estamos aqui para construir a paz e este ano com representantes de outros segmentos religiosos, porque a gente só pode realmente estabelecer essa paz se a gente começar a investir na construção do diálogo inter religioso. Para lutarmos contra o racismo religioso nós precisamos botar a nossa cara no sol, por isso estamos nas praças, para nos fortalecer.”

Representantes das religiões católica, evangélica, do espiritismo e da Unbanda, enviaram mensagens reafirmando a importância do evento e da união de todos em torno do bem comum. A amarração dos Ojás é realizada pelos terreiros de candomblé de Lauro de Freitas e conta com o apoio da Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção de Igualdade Racial (SEPADHIR), representada no evento pelo secretário da pasta, Clóvis Silva, e pela superintendente Aline Santos.

Homenagem

A Mãe de Santo Ana Luzia Talaibi, que faleceu no ano passado, foi a homenageada da noite. Lembrada pelos presentes como uma mulher forte, que transformou o preconceito que sofreu em força para acolher os que também sofriam à sua volta, a mãe de santo desempenhou em Lauro de Freitas um importante papel social, econômico, político e religioso. Além de líder religiosa, sua história também foi marcada pela militância contra a intolerância religiosa e em prol das mulheres e do público LGBTQIA+.

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