Familiares de médico rebatem versão policial e afirmam que crime não foi elucidado

Em nota divulgada nesta quarta-feira (29/09), familiares do médico pediatra Júlio César de Queiroz Teixeira, morto no dia 23 de setembro, rebateram a versão policial e disseram que o crime não foi elucidado, como afirma a instituição.

A família afirma no comunicado enviado ao Informe Baiano que “em primeiro lugar, é importante reconhecer a dedicação incansável e a competência técnica do trabalho realizado em conjunto por policiais da Delegacia Territorial (DT) do município de Barra e da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (14ª Coorpin/Irecê), com o apoio da Coordenação de Apoio Técnico à Investigação, do Departamento de Polícia do Interior (Cati/Depin), ao longo dos últimos quatro dias, desde que Júlio César foi brutalmente assassinado, na manhã do dia 23/09, enquanto atendia uma criança, em um consultório no município de Barra/BA”.

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“Reconhecemos e agradecemos às equipes envolvidas pela agilidade deste trabalho investigativo que, em poucos dias, conseguiu descobrir os envolvidos e capturar dois suspeitos deste crime bárbaro”, pontua o comunicado.

“No entanto, nos surpreende e preocupa o fato de a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil, de forma precipitada e temerária, divulgar uma nota pública oficial afirmando categoricamente em seu título que o caso foi elucidado. Elucidar significa esclarecer, decifrar, explicar de forma a não restar mais dúvidas a respeito do ocorrido. E sabemos que este caso ainda não foi elucidado inclusive pelo fato de que, na mesma nota, a Ascom da Polícia Civil reitera textualmente que ‘as equipes continuam realizando diligências para localizar e prender o mandante do crime'”.

A família destaca ainda que “outro ponto que nos causa estranheza e apreensão enquanto familiares do médico Júlio César é a nota trazer uma declaração do delegado Ernandes Reis Santos Júnior, coordenador da 14ª Coorpin/Irecê, afirmando que ‘o mandante do homicídio alegou que a vítima teria cometido um suposto assédio a sua esposa e por esse motivo determinou a morte do médico’. Ora, se a Polícia Civil ainda está em busca do mandante, como ele poderia ter alegado esta motivação?”.

“Também nos assusta o fato de ver uma acusação extremamente grave e difamatória obtida a partir da fala de um criminoso – executor dos disparos que covardemente ceifaram a vida de Júlio César sem qualquer chance de defesa – divulgada em uma nota oficial da Polícia Civil e disseminada por veículos de comunicação de todo o país como verdade irrefutável”, acrescenta a nota.

“Neste sentido, a família do médico Júlio César de Queiroz Teixeira vem a público reiterar a confiança no trabalho da Polícia Civil e, ao mesmo tempo, solicitar a retificação da nota de forma que ela expresse a veracidade do atual momento das investigações”.

“Nos últimos 20 anos, Júlio César de Queiroz Teixeira exerceu a medicina com extrema dedicação, honestidade e ética. Não podemos permitir que, após a sua morte, a fala de um criminoso seja suficiente para manchar toda uma trajetória de serviços prestados à saúde da população brasileira”, finaliza os familiares.

Preso autor da morte do pediatra no município de Barra

 

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